O que é organograma de escritório de advocacia?

Organograma de escritório de advocacia é o desenho de quem faz o quê dentro da banca: quais setores existem, quais funções cada um carrega e a quem cada pessoa responde. Não é caixinha de teoria de administração. É a planta baixa da operação.

Aqui no meu escritório eu monto assim: primeiro os setores, depois os núcleos dentro de cada setor, e dentro dos núcleos as funções, tá? É isso que elimina a confusão do "de quem é essa tarefa".

Eu opero o VSN Advogados com mais de 4 mil contratos ativos. Então esse organograma não é diagrama de manual. É o mapa de uma banca que roda de verdade.

E antes de você se preocupar com vertical ou matricial, entende uma coisa: organograma bom é o que mostra a operação como ela realmente acontece, não um diagrama bonito que ninguém usa depois.

atualizado em jun/2026

Mais de 4 mil contratos ativos

no VSN Advogados, prova de operação real, não diagrama de manual.

Fonte: product_data §4 · Métricas de Autoridade

Vertical, horizontal ou matricial: qual modelo?

Os três modelos clássicos de organograma são o vertical, o horizontal e o matricial. A diferença prática é quanta hierarquia e quanto cruzamento de equipes cada um assume.

O vertical empilha cadeia de comando rígida, com o sócio no topo e todo mundo respondendo para cima, e serve banca tradicional com decisão centralizada. O horizontal achata níveis e dá mais autonomia, então combina com equipe enxuta e sênior. O matricial cruza áreas do Direito com funções, de modo que um advogado responde ao líder do contencioso e ao gestor do projeto ao mesmo tempo, e serve banca que atende várias frentes.

Escolhe pelo porte e pelo volume de demandas, não pela moda. E revê quando contratar gente nova ou criar um cargo intermediário.

ModeloComo funcionaQuando servePrós e contras
Vertical Cadeia de comando rígida; sócio no topo, todos respondendo para cima Banca tradicional com decisão centralizada + clareza de comando, decisão rápida no topo; − pouca autonomia, gargalo no sócio
Horizontal Níveis achatados, mais autonomia por advogado Equipe enxuta e sênior, que dispensa muitas camadas + agilidade e responsabilidade distribuída; − exige equipe madura, vira caos com gente júnior
Matricial Cruza áreas do Direito com funções; dupla linha de reporte Banca que atende várias frentes ao mesmo tempo + aproveita especialistas em vários projetos; − dupla chefia confunde se papéis não estão claros

Por onde começar sendo quase a banca inteira?

Se hoje tu faz quase tudo sozinho, o teu organograma não começa com sócios, sêniores e departamentos. Começa com você ocupando todos os papéis e tirando um de cada vez da sua mão.

Vídeo: estruturando o comercial do escritório, por onde começar quando você ainda ocupa todos os papéis.

No começo, todos esses quatro setores serão desempenhados por você mesmo quando estiver conversando sobre o negócio, mas ao passo que for contratando vai identificando qual função sai primeiro. Depois, quando o escritório começa a crescer, que você já não tem mais tempo de fazer tudo, você começa a delegar algumas funções.

O organograma mínimo viável é esse: um mapa do que você faz hoje, com a ordem de quem assume cada pedaço quando der pra contratar. Não inventa cargo que não existe. Desenha a saída da informalidade.

Onde entra o comercial no organograma?

A maioria dos organogramas de advocacia para na operação processual e esquece o comercial. E é justamente o comercial que faz entrar dinheiro.

Vídeo: o setor comercial, quem prospecta, quem atende o lead e quem cuida do cliente depois do fechamento.

O primeiro setor, o comecial 1, ele vai ter duas funções, a escolha do produto e também as campanhas de prospecção. Depois vem quem faz o pré-atendimento, quem faz o atendimento e fechamento, e quem cuida do cliente depois que fechou. No marketing a gente chama essa última função de Customer Success. Aqui no direito, pelo menos no meu escritório, a gente aqui no escritório chama essa função de concierge, não é nomenclatura usada por todo mundo.

Então coloca captação, fechamento e pós-venda no teu organograma. Sem esse elo, a estrutura não gera receita, só processa caso.

Como é a planta baixa do meu escritório?

Em vez de te mostrar um diagrama genérico, vou te mostrar o do meu escritório com número.

Três setores do meu escritório é assim, três setores, doze núcleos, núcleos e sessenta e nove tarefas, funções. Cada tarefa tem um responsável e um jeito certo de ser feita.

3 setores · 12 núcleos · 69 funções

a planta baixa real do VSN Advogados, primeiro você desenha a operação, depois encaixa pessoas nas funções.

Fonte: 20251119-planejamento-de-2026-para-advogados, parágrafo 294

Depois a gente só vai criando os cargos e distribuindo as funções entre os cargos, ou seja: primeiro você desenha a operação, setores, núcleos e funções, e só depois encaixa pessoas nas funções. É o contrário do que a maioria faz, que é contratar e torcer pra dar certo.

Esse é o modelo aplicável: copia a lógica dos três níveis e preenche com a realidade da sua banca.

Quem contratar primeiro: a ordem dos cargos?

Organograma não nasce pronto com cinco níveis. Ele se monta na ordem certa de contratação.

Vídeo (aula 04): como estruturar um escritório para faturar, quem contratar primeiro, segundo, até o sétimo que fecha o squad.

A gente diz para o nosso aluno quem que ele deve contratar primeiro, quem que ele deve contratar segundo, terceiro, quarto, quinto, até o sétimo que faz a conclusão do nosso primeiro squad. E a ordem segue o faturamento: no começo, tu vai entregar sozinho, tá? Não vai ter time, vai ter poucos casos ali, vai ter que trabalhar um pouquinho mais. Cada faixa de faturamento libera o próximo cargo.

Primeiro entra quem tira entrega da tua mão, depois quem organiza, e assim por diante até fechar o squad. Esse é o teu organograma de verdade: a sequência, não a pirâmide.

Quanto custa essa estrutura por número?

Cada caixinha do organograma custa dinheiro, então estrutura se dimensiona por número, não por vontade.

A folha de pessoal tem um teto que eu sigo. 35% é o que a gente tem que gastar com folha segundo manual, e dentro disso entra o pró-labore do sócio.

Folha de pessoal em até 35%

do faturamento, o teto que dimensiona o organograma, com o pró-labore do sócio incluído.

Fonte: 20260116-aula-04-como-estruturar-um-escritorio-para-faturar, parágrafo 125

O gatilho pra contratar é a contagem de clientes:

Faixa de clientesAdvogados na entrega
Até 80 clientes1 advogado
90 clientes2 advogados
160 clientesmais advogados conforme a carteira cresce

A lógica é simples: eu posso vender quantos serviços eu tiver capacidade de entregar e quando eu não tiver mais capacidade de entregar eu posso contratar uma pessoa para me ajudar. Você não contrata porque quer crescer. Contrata quando o número manda.

Como ligar organograma a remuneração?

Um organograma só serve de verdade quando cada cargo tem um pacote de remuneração definido. Senão vira caixinha vazia.

Dentro daqueles 35% de folha entra o pró-labore do sócio e o pacote de cada pessoa, considerando salário fixo, variável, comissões e prêmios. Quer dizer: cada função no organograma carrega uma combinação de fixo mais variável. O comercial ganha comissão por contrato fechado, a entrega ganha prêmio por meta, o pró-labore sai antes do lucro.

É assim que a estrutura conecta cargo, esforço e distribuição de resultado, em vez de deixar todo mundo no escuro sobre quanto ganha e por quê. Sem remuneração definida por cargo, o organograma vira enfeite.

O que dá errado quando não tem estrutura?

Antes de culpar a falta de organograma por tudo, repara numa coisa que eu aprendi operando a banca: às vezes o problema não é estrutura, é produto.

Gestão × produto

Não tem equipe de entrega no mundo organizado o suficiente para dar conta dessa demanda aqui, quando o nicho é mal escolhido. Se você pegou um nicho que entope a operação, nenhum organograma salva.

Quando falta estrutura de verdade, o custo aparece em caso perdido, prazo estourado e gente desmotivada que não sabe de quem é a tarefa. Mas quando a estrutura existe e ainda assim não dá conta, o gargalo costuma estar no produto errado, não no diagrama.

Desenha o organograma certo, sim. Só não pede que ele conserte uma escolha de nicho que sobrecarrega todo mundo.

Quais ferramentas usar para o organograma?

Desenhar o organograma não exige software caro. Exige clareza dos três níveis e uma ferramenta simples pra registrar.

Pra montar o diagrama, qualquer editor visual gratuito resolve a planta de setores, núcleos e funções. Pra preencher as caixinhas com gente, eu uso um software de RH, a Solids: tu consegue criar cargos lá dentro colocar suas vagas e não importa se tu mora em Cacimbinhas do oeste, o currículo chega de qualquer lugar.

Então o caminho prático é simples:

1

Monte a planta baixa num editor visual

Qualquer editor visual gratuito desenha os três níveis: setores, núcleos e funções.

2

Abra o cargo no RH

No software de RH (a Solids, no meu caso) você cria o cargo e publica a vaga.

3

Receba os currículos

O currículo chega de qualquer lugar, não importa onde a pessoa mora.

4

Encaixe a pessoa na função

Com a planta pronta, é só colocar a pessoa certa na caixinha que estava esperando.

Sem fórmula mágica e sem precisar comprar o sistema que o concorrente fica empurrando.

Explore os próximos passos da gestão

Montou o organograma? O próximo movimento é colocar essa estrutura pra rodar no dia a dia.

Daqui você segue para como organizar o escritório por inteiro, para o fluxograma que transforma cada núcleo em processo com começo, meio e fim, e para o hub de Gestão de Escritório que reúne tudo.

O organograma é o mapa de quem faz o quê; as páginas-irmãs mostram como cada caixinha vira rotina, padrão e resultado. Escolhe por onde a tua banca está travando agora e segue por ali.

Perguntas frequentes sobre organograma de advocacia

Preciso de organograma se ainda sou advogado solo?
Precisa, mas não o de banca grande. No começo todos os setores são teus, então o teu organograma é o mapa do que você já faz, com a ordem de quem assume cada pedaço quando der pra contratar. Começa por você e cresce um cargo de cada vez, sem inventar cargo que não existe ainda.
Qual modelo de organograma é melhor para escritório de advocacia?
Depende do porte e do volume de demandas. O vertical serve banca tradicional com decisão centralizada; o horizontal, equipe enxuta e sênior; o matricial, banca que cruza várias áreas do Direito. Mais importante que o nome do modelo é o organograma refletir como o trabalho realmente acontece e ser revisto quando você contrata ou cria um cargo.
Em que ordem devo contratar para montar a equipe?
Na ordem do faturamento. A gente diz quem contratar primeiro, segundo, terceiro, até o sétimo que fecha o primeiro squad, e cada faixa de faturamento libera o próximo cargo. Primeiro entra quem tira entrega da tua mão, depois quem organiza, e assim por diante.
Quanto do faturamento posso gastar com a equipe?
A folha de pessoal fica em torno de 35% do faturamento, que é o que dá pra gastar com folha segundo manual, e dentro disso entra o pró-labore do sócio. Usa a contagem de clientes como gatilho: cada faixa de clientes (80, 90, 160) justifica o próximo advogado, em vez de contratar por vontade de crescer.
Onde entra o setor comercial no organograma?
Entra como setor próprio, com quem faz a escolha de produto e a prospecção, quem faz o pré-atendimento, quem fecha e quem cuida do cliente depois (o que a gente chama de concierge). Sem o comercial no organograma, a estrutura só processa caso, não gera receita.
Que ferramenta uso para desenhar o organograma?
Pra desenhar a planta de setores, núcleos e funções, qualquer editor visual gratuito resolve. Pra preencher as caixinhas com gente, eu uso um software de RH, a Solids, onde dá pra criar cargos, abrir vagas e receber currículos de qualquer lugar, sem precisar comprar o sistema que os concorrentes ficam empurrando.
Vinícius Nunes, advogado e criador do método Advogado Sustentável

Escrito por

Vinícius Nunes

Advogado (OAB/RS 109.673) · Fundador da VSN Advogados · Criador do método Advogado Sustentável

Advogado, construí um escritório digital ancorado em nichos de sustentação e prospecção via tráfego pago. A partir dessa prática criei o método Advogado Sustentável, hoje com mais de 11 mil alunos e mais de 4 mil contratos ativos.