Como deve ser a fachada de advocacia?

A fachada de um escritório de advocacia deve ser informativa, sóbria e discreta. A OAB permite identificar o escritório e captar cliente, mas dentro dos limites do Art. 39 do Código de Ética e Disciplina.

Fachada de advocacia, em uma linha

Informativa, sóbria e discreta, é o que o Art. 39 do Código de Ética e Disciplina exige. Pode identificar; não pode anunciar.

Na prática, a placa pode ter o nome do advogado ou da sociedade, o número de inscrição na OAB, a área de atuação e o logotipo. O que não entra é o apelo de vitrine: nada de neon, outdoor, luz piscante, cor berrante ou frase de venda.

A fachada é a primeira impressão do escritório e uma ferramenta legítima de captação, desde que comunique com discrição, em vez de gritar.

Este guia mostra o que pode e o que não pode, quanto custa a placa, como especificar pro fornecedor, o caso de quem atende sem frente pra rua (sala em prédio, coworking) e a fachada digital do escritório.

O que a OAB permite e proíbe?

A regra da OAB para a fachada cabe numa lógica simples: pode identificar, não pode anunciar.

O princípio que rege tudo é o do Art. 39 do Código de Ética e Disciplina, a publicidade profissional do advogado tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e pela sobriedade, sem mercantilizar a profissão.

A tabela abaixo separa, de um lado, o que é permitido e, do outro, o que é vedado. É o quadro-resumo de conformidade que nenhum artigo do tema dá de relance: a regra existe, mas sempre diluída em parágrafos.

Permitido na fachada
  • Nome do advogado ou da sociedade de advogados
  • Número de inscrição na OAB
  • Área de atuação (especialidade)
  • Endereço e um contato (telefone/WhatsApp)
  • Logotipo do escritório
  • Placa de dimensão discreta em cores neutras
Vedado na fachada
  • Neon, luz piscante ou iluminação chamativa
  • Outdoor ou letreiro de grande dimensão
  • Cor berrante que quebra a sobriedade
  • Promessa ou garantia de resultado
  • Expressão de captação ("ligue já", "resolvo seu processo")
  • Menção a valor de honorário

Que informações a placa precisa ter?

A placa de um escritório de advocacia tem itens que devem constar e itens que jamais podem entrar.

O que deve constar:

  • Nome do advogado ou da sociedade de advogados, o escritório não usa nome fantasia, a identificação é pelo nome, sobrenome ou iniciais dos sócios.
  • Número de inscrição na OAB.
  • Área de atuação e o contato.

O que pode constar, com discrição: o logotipo do escritório e um telefone ou WhatsApp.

O que não pode constar: valor de honorário, promessa ou garantia de resultado, expressão de captação e qualquer símbolo privativo da OAB usado como se fosse marca do escritório.

A lógica é simples: a placa serve pra o cliente encontrar e reconhecer o escritório, não pra vender o serviço na calçada. Identificar é permitido, anunciar não.

O que gera representação na OAB?

O que leva um advogado a responder na OAB por causa da fachada não é ter uma placa bonita. É ela cruzar a linha da publicidade informativa para a mercantilização.

As categorias de infração

  • Publicidade imoderada, outdoor, letreiro chamativo, placa de dimensão desproporcional.
  • Recurso proibido, neon, luz piscante, cor berrante que quebra a sobriedade do Art. 39.
  • Captação explícita, frase de venda como "ligue já", promessa ou garantia de resultado.
  • Uso indevido de símbolo privativo da OAB como se fosse marca.

O ponto que costuma pegar o advogado desavisado é achar que "chamar atenção" é o objetivo da fachada. Pelo Código de Ética, o objetivo é identificar com discrição, e é o excesso de apelo comercial que configura a infração.

Na dúvida entre uma fachada mais discreta e uma mais chamativa, a discreta é sempre a que protege o registro.

Quanto custa a fachada de advocacia?

Uma fachada de escritório de advocacia custa, em média, de R$ 450,00 a R$ 1.000,00 por metro quadrado, dependendo da complexidade do projeto e de haver ou não um arquiteto envolvido.

R$ 450,00 a R$ 1.000,00 por m²

Faixa média de custo de fachada de escritório de advocacia (fonte: Forth Lux)

Essa faixa varia com três coisas:

  • O material, uma placa em acrílico simples fica na ponta de baixo; um painel em ACM com letra caixa iluminada por trás vai pra ponta de cima.
  • O tamanho da peça.
  • A necessidade de projeto de arquitetura.

A conta muda bastante entre quem quer só uma placa de identificação discreta na porta e quem vai revestir toda a testada de uma loja térrea.

Vale pedir orçamento a mais de um fornecedor de comunicação visual e separar o custo da placa em si do custo de um eventual projeto, nem todo escritório precisa de arquiteto pra uma placa dentro das regras da OAB.

Como contratar a placa do escritório?

Contratar a placa fica mais barato e mais rápido quando você chega no fornecedor sabendo o que pedir, em vez de deixar ele decidir por você.

O caminho é curto: definir o material, especificar o conteúdo dentro da regra da OAB, dimensionar pensando na legibilidade e pedir orçamento a mais de um fornecedor.

Discreta não é o mesmo que ilegível. A placa precisa ser lida da distância em que o cliente passa, com contraste e tamanho de fonte proporcional.

Os quatro passos abaixo são a ordem que evita retrabalho e cotação furada. Este guia ensina a especificar a placa; a arte final e a instalação são do fornecedor.

1

Definir o material

ACM (painel de alumínio composto, resistente, base de fachada), acrílico (placa translúcida, boa pra identificação discreta) e letra caixa (letras em relevo, com ou sem iluminação por trás) são os três mais comuns, cada um com custo e visual diferentes.

2

Especificar o conteúdo dentro da regra

Nome, número de inscrição na OAB, área de atuação e logo, sem frase de venda (ver a seção de informações da placa).

3

Dimensionar pela legibilidade

Tamanho e contraste proporcionais à distância de leitura; discreto, mas legível.

4

Pedir orçamento a mais de um fornecedor

Com material, medidas e prazo de instalação por escrito, pra comparar as propostas.

E quem atende em sala ou coworking?

Quem atende numa sala de edifício comercial, num coworking ou em home office não tem fachada de rua. E mesmo assim tem comunicação visual pra resolver, dentro de duas camadas de regra ao mesmo tempo.

A primeira camada é o condomínio. A maioria dos prédios comerciais padroniza a sinalização e restringe placa na porta, no hall e na fachada externa, então o ponto de partida é a convenção do condomínio e o que o síndico autoriza, geralmente uma placa de porta e um registro na placa de diretório do hall.

A segunda camada é a OAB. Dentro do que o condomínio permite, valem as mesmas regras da fachada de rua: nome, número de inscrição, área de atuação, discrição, sem frase de venda.

Sala em edifício comercial

Prédio com sinalização padronizada

Placa de porta e registro na placa de diretório do hall, dentro do que a convenção do condomínio autoriza.

Coworking jurídico

Espaço compartilhado

A identificação costuma ficar no diretório do espaço e na própria sala do escritório.

Home office

Sem endereço de rua divulgado

O endereço nem sempre é divulgado e a fachada passa a ser quase inteiramente digital.

Não ter frente pra rua não impede identificar o escritório com profissionalismo. Muda o suporte, não o princípio.

O perfil no Google é a fachada digital?

Pro escritório que capta cliente pela internet, a fachada que mais importa hoje não é a placa na parede. É o Perfil da Empresa no Google, o site e as redes sociais, é ali que o cliente "passa em frente" antes de decidir contratar.

Um Perfil da Empresa no Google bem preenchido (nome, endereço, área de atuação, horário, avaliações) é a vitrine que aparece quando alguém pesquisa advogado na região. O site e o Instagram são a continuação dessa fachada digital.

A regra da OAB não muda por ser online

O Provimento 205/2021 permite a publicidade informativa e proíbe a captação e a mercantilização da clientela: você pode manter presença profissional e publicar conteúdo que informa, mas não pode abordar cliente determinado oferecendo serviço.

Ou seja: você pode manter presença profissional, publicar conteúdo que informa e aparecer quando o cliente procura, mas não pode abordar cliente determinado oferecendo serviço nem transformar o perfil em propaganda de venda.

A fachada digital capta por conteúdo e reputação, que é exatamente o marketing jurídico que respeita a ética.

Como alinhar fachada e identidade visual?

A fachada não é uma peça isolada. Ela é o ponto onde a identidade visual do escritório aparece pela primeira vez, e precisa conversar com o logo, as cores e o ambiente interno.

Coerência aqui significa que a placa usa o mesmo logotipo e a mesma paleta do site, do cartão e das redes. Assim o cliente reconhece o escritório como uma marca só, e não como peças soltas feitas em momentos diferentes.

Vale a mesma sobriedade que a OAB pede: cores neutras e escuras costumam transmitir a seriedade que se espera de um escritório de advocacia, e a fachada dá o tom que o interior confirma quando o cliente entra.

Antes de encomendar a placa, o passo lógico é ter o logo e a paleta de cores já definidos. É o que garante que a fachada nasça alinhada, em vez de virar um remendo.

FAQ: perguntas frequentes sobre fachada de advocacia

A placa pode ser luminosa?
Pode ter iluminação discreta, mas não pode usar neon, luz piscante nem letreiro chamativo. O Art. 39 do Código de Ética e Disciplina exige discrição e sobriedade, então uma letra caixa com iluminação sóbria por trás é aceita, enquanto painel de neon ou luz colorida piscando configura publicidade imoderada e vira risco de representação.
Preciso do número da OAB na placa?
Sim. O número de inscrição na OAB é uma das informações que devem constar na fachada, junto do nome do advogado ou da sociedade e da área de atuação. O escritório não usa nome fantasia, a identificação é pelo nome, sobrenome ou iniciais dos sócios. Valor de honorário e promessa de resultado, ao contrário, jamais entram na placa.
Quanto custa a fachada de um escritório de advocacia?
Em média, de R$ 450,00 a R$ 1.000,00 por metro quadrado, dependendo da complexidade e de haver ou não arquiteto. O material define muito o preço: acrílico simples fica na ponta de baixo, e ACM com letra caixa iluminada vai pra ponta de cima. Vale pedir orçamento a mais de um fornecedor e separar o custo da placa do custo de projeto.
Como fazer a placa em sala de edifício ou coworking?
Quem não tem fachada de rua resolve em duas camadas: primeiro a convenção do condomínio, que costuma padronizar a sinalização e permitir placa de porta e registro no diretório do hall; depois a regra da OAB, que vale igual (nome, número de inscrição, área de atuação, discrição, sem frase de venda). No coworking, a identificação fica no diretório do espaço e na sala; no home office, a fachada passa a ser praticamente digital.
O perfil no Google conta como fachada?
Sim. Para quem capta cliente pela internet, o Perfil da Empresa no Google, o site e as redes são a fachada digital, a vitrine que o cliente vê antes de contratar. Vale a mesma regra da placa física: o Provimento 205/2021 permite publicidade informativa e proíbe captação direta e mercantilização da clientela.

Quem sou eu, o Advogado Sustentável?

Sou o Vinícius Nunes, advogado (OAB/RS 109.673), fundador da VSN Advogados e criador do método Advogado Sustentável.

Eu não vou te vender projeto de arquitetura de fachada. O meu terreno é te mostrar como captar cliente e fazer a comunicação do escritório, da placa ao digital, dentro das regras da OAB.

Construí um escritório de advocacia digital com mais de 4 mil contratos ativos, investindo mais de R$ 900 mil em Google Ads. É dessa prática que veio a leitura da publicidade jurídica como ferramenta de captação, sempre dentro da ética.

Hoje ensino mais de 11 mil advogados a captar cliente e a se posicionar sem ferir a OAB.

É essa lente, a fachada, física ou digital, como captação dentro da regra, que eu trago pra este guia.

Mais de 11 mil

Advogados formados no método Advogado Sustentável

Vinícius Nunes, advogado e criador do método Advogado Sustentável

Escrito por

Vinícius Nunes

Advogado (OAB/RS 109.673) · Fundador da VSN Advogados · Criador do método Advogado Sustentável

Advogado, construí um escritório digital ancorado em nichos de sustentação e prospecção via tráfego pago. A partir dessa prática criei o método Advogado Sustentável, hoje com mais de 11 mil alunos e mais de 4 mil contratos ativos.