Existem quatro tipos de honorários advocatícios: contratuais, sucumbenciais, arbitrados e assistenciais. E os contratuais ainda se dividem em subespécies: valor fixo, êxito, quota litis, por ato, por hora e misto.

Quais são os tipos de honorários advocatícios?

Existem quatro tipos de honorários advocatícios: contratuais, sucumbenciais, arbitrados e assistenciais. E os contratuais ainda se dividem em subespécies: valor fixo, êxito, quota litis, por ato, por hora e misto.

Quem está começando confunde porque trata "honorário de êxito" como uma categoria separada. Não é: êxito por porcentagem ainda é contratual.

Mais embaixo tem o quadro comparativo com quem paga cada um, quando incide e a base legal. E, depois da taxonomia, a parte que ninguém te conta: para o seu tipo de caso, qual modalidade usar e quanto cobrar de fato. A gente vai do conceito correto até a decisão de preço, sem te empurrar calculadora no meio.

Eu rodo uma banca com mais de 4 mil contratos ativos, então tudo aqui é o que opero de verdade, não teoria de manual.

+4 mil

contratos ativos na VSN Advogados, banca em operação, não teoria de manual.

Fonte: product_data §4, Métricas de Autoridade

Quadro comparativo das modalidades de honorários

Aqui está o quadro que falta em todo lugar: as quatro modalidades lado a lado, com quem paga, quando incide, a base legal e a forma típica de cada uma.

Contratual é o cliente que paga, pactuado no contrato, com base no art. 22 do Estatuto da OAB (Lei 8.906/94). Sucumbencial é a parte vencida que paga, fixado entre 10% e 20% do proveito econômico (art. 85 §2º do CPC). Arbitrado é o juiz que fixa quando não houve pactuação (art. 22 §2º do Estatuto). Assistencial decorre da assistência judiciária e é cumulável com o contratual (Lei 13.727/18).

Lê a tabela de cima a baixo e tu já sabe, para qualquer caso, qual modalidade está em jogo e de quem é o dinheiro.

ModalidadeQuem pagaQuando incideBase legal% / forma típica
ContratualO clientePactuado no contrato, independe do êxito (salvo ad exitum/quota litis)Art. 22 do Estatuto da OAB (Lei 8.906/94)Valor fixo, % sobre o proveito, por ato, por hora ou misto
SucumbencialA parte vencidaAo fim da ação, sobre a condenação ou proveito econômicoArt. 85 §2º do CPC; art. 23 do EstatutoEntre 10% e 20% do proveito
ArbitradoA parte (fixado pelo juiz)Quando não houve valor pactuado entre advogado e clienteArt. 22 §2º do Estatuto da OABArbitramento judicial conforme o trabalho
AssistencialVinculado à assistência judiciáriaNa atuação em regime de assistência judiciáriaLei 13.727/18Cumulável com o contratual

Honorários contratuais e suas subespécies

Honorário contratual é o que tu combina com o cliente no contrato, e ele não depende do êxito da causa, salvo quando tu pactua justamente o contrário (ad exitum ou quota litis).

As subespécies são:

1
Valor fixo (pro labore)Pago independentemente do resultado.
2
Êxito (ad exitum)Condicionado ao ganho da causa.
3
Quota litisUm percentual do proveito que o cliente obtém.
4
Por ato processualCobrado a cada ato praticado.
5
Por hora técnicaCobrado pelo tempo de trabalho.
6
MistoCombina fixo + êxito.

O ponto que confunde

Cobrar 30% sobre o que o cliente ganhar ainda é honorário contratual (contrato de risco), não é sucumbência.

Na prática eu opero a cara contratual em dois tempos. Nesse início, a cobrança de honorários será realizada em dois tempos, tá? Honorários iniciais, honorários iniciais e também honorários sobre o êxito. A gente vai cobrar no início e no final, e é esse mix que protege o caixa.

Honorários de sucumbência: quem paga e quanto

Honorário de sucumbência é o que a parte vencida paga ao advogado da parte vencedora. Quem perde a ação banca os honorários do outro lado.

O CPC fixa a faixa entre 10% e 20% sobre o valor da condenação ou do proveito econômico (art. 85 §2º), modulada por zelo, lugar, natureza e trabalho.

Dois pontos que caem em prova. A sucumbência pertence ao advogado, não ao cliente: é direito autônomo de executar (art. 23 do Estatuto). E tem natureza alimentar (art. 85 §14 do CPC, Súmula Vinculante 47 do STF), o que lhe dá os mesmos privilégios de um salário.

Cai em prova

A sucumbência é do advogado, não do cliente. Ela soma ao contratual, não substitui o que tu combina com o cliente.

Quem está estudando para a OAB precisa separar isso do contratual: a sucumbência não substitui o que tu combina com o cliente, ela soma.

Honorários arbitrados e assistenciais

Honorário arbitrado é o que o juiz fixa quando não houve valor pactuado entre advogado e cliente. Atenção ao termo: arbitrado vem de arbitramento judicial, não de "arbitrário". A base é o art. 22 §2º do Estatuto da OAB, e serve para garantir a remuneração quando o contrato é omisso ou inexistente.

Honorário assistencial é o que decorre da assistência judiciária, devido ao advogado que atua nesse regime (Lei 13.727/18), e é cumulável com o contratual.

Arbitrado ≠ arbitrário

Arbitrado vem de arbitramento judicial: o juiz fixa o valor quando o contrato é omisso. Não tem nada de arbitrariedade.

Com esses dois, a taxonomia fecha: contratual, sucumbencial, arbitrado e assistencial. As quatro modalidades, numa página só, sem precisar voltar na quinta-feira para ler a próxima parte da série.

Para o seu caso, qual modalidade usar

Os honorários iniciais, sugerimos uma cobrança, sugerimos a cobrança de um percentual que pode variar entre 1% e 4% sobre o valor de imóvel.

Esse é o jeito de traduzir a taxonomia numa decisão: tu não escolhe a modalidade no abstrato, tu monta o mix pelo caso.

Numa ação que envolve um imóvel de 400 mil, vou pegar 400 mil e vou cobrar 3% de honorários no início. 3%, tá? Vai cobrar 12 mil reais de honorários no início, e ainda fica o percentual sobre o êxito no final.

E como é uma ação complexa que envolve imóvel, tu cria uma regra de piso de 5 mil reais, para nunca cobrar menos do que o caso vale.

Não é "consulte a tabela da OAB": é decidir o percentual, somar as modalidades e ter um piso.

Vídeo: como eu defino o percentual e o piso de honorários num caso de imóvel.

R$ 12 mil

3% sobre um imóvel de R$ 400 mil = R$ 12 mil de entrada, e ainda fica o êxito no final.

Fonte: 20250129-cobrando-clientes-na-advocacia-do-jeito-certo.md, parágrafo 9

Por que cobrar entrada e não só êxito

Hoje no Brasil, prepondera a cultura de que a gente tem que cobrar honorários lá no final do processo. E essa cultura quebra quem está começando.

Hoje nós temos muitos advogados que vieram de famílias pobres. E esse cara, diferentemente daquele outro, ele não tem como esperar dois anos para receber os honorários dele. Por isso o honorário inicial não é detalhe, é sobrevivência do escritório.

No começo tu vai cobrar um pouco mais barato pra te movimentar financeiramente, pra te pegar gosto pelo dinheiro, pra te ver o PIX entrando, pra te entender que o teu escritório já é autossustentável. E vai assumindo mais risco e mais preço conforme o caixa cresce.

Cobrar só no êxito

Quem fecha tudo no êxito por medo de pedir entrada está deixando dinheiro na mesa e trabalhando dois anos de graça.

Quem fecha tudo no êxito por medo de pedir entrada está deixando dinheiro na mesa e trabalhando dois anos de graça. O mix que protege o caixa começa por cobrar uma entrada.

Vídeo: por que o honorário inicial é sobrevivência do escritório, não detalhe.

Como apresentar o preço sem cobrar mal

A primeira coisa é construir a percepção de valor. A gente sempre fala isso. Como é que constrói a percepção de valor? Explicando o que você vai fazer.

Só que antes de falar de preço, ele precisa entender a compreensão e a amplitude do nosso trabalho. Por isso a gente faz a demonstração detalhada do serviço, listada e escrita no contrato, pra ele enxergar o tamanho do que vai receber.

Só depois disso tu apresenta o honorário, e aí tem um truque. Aqui é legal você colocar um período extenso. Se a gente coloca um período curto, depois na hora que eu apresentar os honorários, eu vou fazer uma divisão do valor dos honorários pelo tempo que eu vou trabalhar, e o número fica pequeno por mês.

1

Construir a percepção de valor

Explica o que tu vai fazer antes de falar de preço, o cliente precisa entender a amplitude do trabalho.

2

Demonstrar o serviço no contrato

Demonstração detalhada, listada e escrita, pra ele enxergar o tamanho do que vai receber.

3

Fragmentar o preço pelo prazo

Coloca um período extenso: o valor dividido pelo tempo de trabalho fica menor por mês.

4

Segurar a âncora emocional

Quando o cliente chora preço, não cede: é âncora emocional, não a realidade.

Não é um momento de desconto

E quando o cliente chorar preço, cuidado: 100% deles, 100% deles vão dizer que estão passando por um cenário catastrófico, tá? Isso é âncora emocional, não é a realidade. Quem cede a isso cobra mal e se acostuma a trabalhar de graça.

Apresentar preço é uma habilidade, não um momento de desconto.

Vídeo: o script de apresentação de preço que constrói valor antes do número.

Quando não compensa pegar quota litis

Quota litis parece o sonho: tu fica com um percentual do que o cliente ganhar. Mas tem armadilha.

A lei limita. Na quota litis o advogado não pode receber mais do que o cliente (art. 50 do Código de Ética da OAB), e o percentual incide sobre prestações vencidas e vincendas.

Art. 50 do Código de Ética

Na quota litis o advogado não pode receber mais do que o cliente, e o percentual incide sobre prestações vencidas e vincendas.

O risco prático é maior que o legal. Se tu fecha tudo no êxito, banca dois anos de processo do teu bolso e ainda corre o risco de perder. E na hora de combinar, cuidado com a pressão: vão te ancorar, vão dizer assim, cara, tá numa situação lá que eu não sei nem se eu vou fazer isso. Não tem problema, o problema é dele, ele se colocou naquela situação, você tem que continuar.

Quota litis só compensa quando o caso é forte, o proveito é alto e tu já cobrou uma entrada que paga o teu trabalho até o êxito chegar. Caso fraco no risco puro é trabalhar de graça com cara de aposta.

Tipo de honorário segue o nicho

O tipo de honorário que tu cobra segue o nicho que tu escolhe.

Quando tu domina um nicho específico, suspensão de leilão, por exemplo, tu não vende hora, tu vende resultado, e pode cobrar percentual sobre o bem e somar as modalidades. Num caso só, somando o inicial, o êxito e a sucumbência, tu não vai aprender como operar aqui a prospecção de clientes para esse nicho para te remunerar num caso só 64 mil reais. E isso é a especialização trabalhando, coisa que generalista não alcança.

Generalista × especialista

Generalista vende hora; especialista vende resultado. A modalidade não é só técnica jurídica, é decisão de posicionamento. Veja as áreas e nichos de sustentação.

Generalista cobra por audiência e por hora; especialista cobra por valor entregue, e a estrutura de honorário muda com isso: entra o percentual sobre o proveito, entra o piso mais alto, entra o êxito mais pesado.

Quem ainda cobra como generalista num nicho forte está deixando a especialização na mesa. A modalidade não é só técnica jurídica: é decisão de posicionamento.

O modelo que eu uso no escritório

O modelo que eu rodo no dia a dia é simples e soma três coisas.

Mas vamos pegar aqui, ó, vou pegar 400 mil e vou cobrar 3% de honorários no início. 3%, tá? Vai cobrar 12 mil reais de honorários no início. Depois entra o percentual sobre o êxito, entre 1% e 4% sobre o valor do imóvel, com regra de piso de 5 mil para nunca cobrar abaixo do que o caso vale. E quando há indenização, entra um percentual sobre o que o cliente recebe no final.

Honorário inicial garante o caixa hoje; o êxito multiplica quando a causa ganha; o piso me protege de cobrar mal.

Não é fórmula mágica, é o mix que sustenta o fluxo de mais de 4 mil contratos ativos na minha banca. Pega esse desenho, adapta pro teu nicho, e para de depender só do êxito.

+4 mil

contratos ativos sustentados pelo mix de honorário inicial + êxito + piso na minha banca.

Fonte: product_data §4, Métricas de Autoridade

FAQ: tipos de honorários advocatícios

Quantos tipos de honorários advocatícios existem?
São quatro modalidades centrais: contratuais, sucumbenciais, arbitrados e assistenciais. Os contratuais ainda se dividem em subespécies (valor fixo, êxito, quota litis, por ato, por hora, misto), então na prática a classificação é mais rica do que só quatro caixas. Quem busca a lista para prova precisa dessas quatro mais as subespécies do contratual.
Honorário de êxito é um tipo separado de honorário?
Não. Êxito por porcentagem ainda é honorário contratual, é um contrato de risco em que tu condiciona o pagamento ao ganho da causa. Quem trata "êxito" como categoria à parte da sucumbência erra: sucumbência é o que a parte vencida paga; êxito é o que tu combina com o teu próprio cliente. Eu opero isso em dois tempos: honorário inicial na contratação e honorário sobre o êxito no final.
A sucumbência é do cliente ou do advogado?
É do advogado. A sucumbência pertence ao advogado da parte vencedora como direito autônomo de executar (art. 23 do Estatuto da OAB) e tem natureza alimentar (art. 85 §14 do CPC, Súmula Vinculante 47), não se confundindo com o que o cliente combinou contigo. Ela soma ao contratual, não substitui.
Qual o percentual da sucumbência?
Entre 10% e 20% sobre o valor da condenação ou do proveito econômico, conforme o art. 85 §2º do CPC, modulado por zelo, lugar de prestação, natureza e importância da causa e trabalho realizado. É a parte vencida quem paga essa faixa.
Quando não vale a pena pegar caso por quota litis?
Quando o caso é fraco, o proveito é baixo e tu não cobrou nenhuma entrada, aí tu banca dois anos de processo do teu bolso correndo risco de perder. A lei ainda limita: na quota litis o advogado não pode receber mais que o cliente (art. 50 do Código de Ética). Só compensa com caso forte, proveito alto e uma entrada que paga teu trabalho até o êxito chegar.
Quanto devo cobrar de entrada num caso?
Depende do caso, mas dá pra ter uma regra. Num caso que envolve imóvel, eu cobro um percentual entre 1% e 4% sobre o valor do bem no início, num imóvel de 400 mil, 3% dá 12 mil reais de entrada, e crio uma regra de piso de 5 mil para nunca cobrar menos do que o caso vale. A entrada garante o teu caixa enquanto o êxito não chega.
Vinícius Nunes, advogado e criador do método Advogado Sustentável

Escrito por

Vinícius Nunes

Advogado (OAB/RS 109.673) · Fundador da VSN Advogados · Criador do método Advogado Sustentável

Advogado, construí um escritório digital ancorado em nichos de sustentação e prospecção via tráfego pago. A partir dessa prática criei o método Advogado Sustentável, hoje com mais de 11 mil alunos e mais de 4 mil contratos ativos.