O contrato de honorários é a linha que separa um cliente que paga de um favor que você nunca vai ver na conta. É o documento assinado que vira o crédito que você tem pra cobrar: sem ele, o acordo de boca é só intenção, e quando o cliente some não existe recebível nenhum.

No VSN Advogados eu mantenho mais de 4 mil contratos ativos, e cada um começou exatamente nessa linha.

Aqui eu vou te mostrar o documento inteiro, cláusula por cláusula, com a calculadora pra você acertar o valor do êxito sem precisar fazer a conta de cabeça.

Formalizar não é burocracia. É o que te garante receber pelo trabalho.

Conteúdo atualizado em junho/2026.

4 mil+ contratos ativos em operação no VSN Advogados, cada um começou na linha que vira o recebível.

Quais são os tipos de honorário?

Antes de redigir uma cláusula de valor, você precisa saber qual honorário está cobrando, porque eles têm bases legais diferentes e não se misturam.

São quatro:

  • Contratual, o que o cliente combina e paga direto com você (Lei 8.906/94, art. 22).
  • Sucumbencial, o que a parte vencida paga e que pertence ao advogado, não ao cliente (art. 23).
  • Arbitrado, fixado pelo juiz quando não houve contrato escrito.
  • Assistencial, devido na assistência judiciária.

O contrato que você vai redigir trata principalmente do contratual, mas precisa deixar claro que a sucumbência é sua, senão você abre mão de dinheiro que já é seu por direito.

Tipo de honorárioQuem pagaBase legalEntra neste contrato?
ContratualO cliente, direto com o advogadoLei 8.906/94, art. 22Sim — é o objeto central do contrato
SucumbencialA parte vencida no processoLei 8.906/94, art. 23Mencionado — pertence ao advogado, não ao cliente
ArbitradoA parte responsável, por fixação judicialLei 8.906/94, art. 22, §2ºNão — só quando não houve contrato escrito
AssistencialO Estado / a entidade de assistência judiciáriaLei 1.060/50 e Lei 8.906/94Não — devido na assistência judiciária gratuita

O que não pode faltar no contrato?

A cláusula que mais gente erra é a primeira, o objeto, e ela é a que mais te protege. E é por isso que eu não preencho ela sozinho. Na hora de preencher o contrato, vou virar a tela pra ele e vamos digitar junto o que a gente vai fazer aqui.

Eu escrevo item a item: representar na causa, suspender o leilão, elaborar a ação, acompanhar até o arquivamento, com previsão estimada de 24 meses de trabalho. Quando o objeto está detalhado assim, o cliente sabe exatamente o que comprou e você sabe exatamente até onde vai sua obrigação.

Eu virando a tela pro cliente e digitando o objeto e o prazo junto com ele, a cláusula que mais protege, redigida item a item.

A cláusula de objeto é a que mais te protege

É a que mais gente erra e a que mais blinda você. Detalhe o objeto item a item, com o cliente vendo a tela, e ninguém depois discute até onde ia a sua obrigação.

Depois do objeto vêm as outras que não podem faltar:

  • Prazo, quanto tempo o trabalho vai durar.
  • Valor e forma de pagamento, quanto, como e quando ele paga.
  • Obrigações das partes, o que cabe a você e o que cabe a ele.
  • Desistência ou acordo no meio do caminho, o que acontece com seus honorários se ele parar antes do fim.
  • Rescisão, como cada lado encerra o contrato.
  • Confidencialidade, o que fica entre vocês.
  • Foro, onde se resolve qualquer disputa sobre o próprio contrato.

Cada uma fecha uma porta de conflito.

Como cobrar: valor fixo, hora ou êxito?

Você não precisa escolher entre cobrar na entrada ou no êxito, o modelo que funciona combina os dois. Então você vai cobrar 1 a 4% no início e mais 1 a 4% no final. Além disso aqui, há também o valor a ser fixado sobre a indenização, que costuma ficar em 10% sobre o valor da indenização.

A entrada percentual te garante o honorário inicial, dinheiro na conta independente do resultado do processo, e o êxito te paga quando você ganha.

Cada modalidade tem seu lugar:

  • Valor fixo, pra causa de objeto previsível.
  • Por hora, pra consultivo.
  • Quota litis (percentual de êxito), pra ação de resultado incerto.

O contrato precisa deixar as duas pontas escritas: quanto entra agora e quanto entra no êxito, sobre qual base.

ModalidadeQuando usarO que escrever no contrato
Valor fixoCausa de objeto previsível, escopo fechadoO valor cheio e a forma de pagamento (à vista ou parcelado)
Por horaConsultivo, demanda sem fim definidoO valor da hora e como as horas são registradas
Êxito (quota litis)Ação de resultado incertoO percentual e a base de cálculo do êxito, mais a entrada que garante o honorário inicial
1-4% na entrada + 1 a 4% no êxito, o modelo de cobrança em dois tempos: entrada garantida agora, êxito quando você ganha.

Quanto valem os honorários de êxito?

Coloca o valor do benefício e a calculadora te mostra o proveito econômico e quanto cai pra você no êxito, sem você fazer a conta de cabeça e arriscar receber menos.

A base segue o art. 292 do CPC: parcelas vencidas + 12 vincendas. Você digita o valor da parcela mensal, quantas estão atrasadas e o percentual de êxito do seu contrato; a ferramenta devolve a base de cálculo e o honorário, já avisando se o número ultrapassa o teto de 50% do proveito.

Proveito econômico (vencidas + 12 vincendas)

R$ 36.000

Honorário de êxito

R$ 10.800

Dentro do teto de 50% do proveito.

É o número que o cliente cético vai querer ver na frente dele. E é o que nenhum dos modelos crus que circulam por aí te entrega calculado.

Parcela mensalVencidasVincendas (art. 292)Proveito econômico% de êxitoHonorário de êxitoDentro do teto de 50%?
R$ 1.500612R$ 27.00020%R$ 5.400Sim
R$ 1.5001212R$ 36.00030%R$ 10.800Sim
R$ 2.000012R$ 24.00030%R$ 7.200Sim
R$ 2.0002412R$ 72.00030%R$ 21.600Sim
R$ 3.0001212R$ 72.00040%R$ 28.800Sim
R$ 1.2001812R$ 36.00050%R$ 18.000No limite (50%)
50% teto do proveito econômico, o limite do art. 50 do Código de Ética e Disciplina da OAB. Passou disso, o contrato te expõe.

Quanto cobrar no seu primeiro contrato?

Se você está começando e não sabe quanto botar no contrato, a regra é simples. No começo tu vai cobrar um pouco mais barato pra te movimentar financeiramente, pra te pegar gosto pelo dinheiro, pra te ver o PIX entrando.

Cobrar mais barato no início não é se desvalorizar, é capitalizar pra ganhar fôlego e poder assumir menos risco depois.

Mas barato tem chão: nunca vai cobrar menos do que 5 mil na sua ação. Se 1,4% do proveito der menos que isso, você sobe e cobra 5 mil.

Esse é o piso que separa começar barato de trabalhar de graça.

R$ 5 mil piso de valor mínimo por ação, barato tem chão. Se o percentual do proveito der menos, você sobe pro piso.

Como apresentar o honorário sem assustar?

O contrato é a parte fácil. O difícil é a hora em que ele te pergunta: doutor, quanto que custa o serviço? Tu evoluiu da maneira como tem que evoluir, é aí que você vê isso.

A regra é uma só. Só que antes de falar de preço, ele precisa entender a compreensão e a amplitude do nosso trabalho.

O roteiro tem quatro tempos:

  • Construir o valor, explique o serviço inteiro antes de dizer qualquer número.
  • Fragmentar pelo prazo, 15 mil reais, dividido por 24, vai dar 625 reais por mês. O número grande vira uma mensalidade que parece pequena.
  • Conduzir a objeção, e ela sempre vem: 100% deles vão dizer que estão passando por um cenário catastrófico. Você flexibiliza com cuidado, mas continua.
  • Fechar, sem entregar o preço de graça.

Primeiro você constrói, só depois apresenta o número. Quando a objeção chega, você já construiu valor suficiente pra sustentar a conversa.

R$ 625/mês R$ 15 mil ÷ 24 meses, fragmentar o preço pelo prazo: o número grande vira uma mensalidade que parece pequena.

Proposta ou contrato: onde uma vira a outra?

Proposta e contrato não são a mesma coisa, e o ponto exato em que uma vira a outra é o fechamento.

A proposta é a oferta, você apresenta fragmentado: propomos o valor de 12 vezes de 600 ou 6 mil à vista. E ela só vira contrato quando vem a pergunta de fechamento, depois de apresentar isso aqui pra ele, sempre tem que ter pergunta de fechamento: vamos fazer o contrato e começar?

Proposta A oferta, apresentada fragmentada: 12× de 600 ou 6 mil à vista.
Pergunta de fechamento "Vamos fazer o contrato e começar?", o ponto de virada.
Contrato assinado A oferta deixa de ser intenção e vira o documento assinado.

É nesse momento que a proposta apresentada deixa de ser intenção e vira o documento assinado.

Se você quer se aprofundar em como montar a oferta antes desse ponto, eu tenho uma página inteira sobre proposta de honorários aqui no site.

Que erros levam ao calote (e como blindar)?

A maioria dos calotes não é má-fé do cliente, é falha de processo do escritório, e eu já vivi isso na pele.

Processo travado ≠ má-fé

Quando trocou meu financeiro, travou o controle de recebíveis e as cobranças não saíram. E se tu não manda o boleto pro cliente, ele te paga? Não te paga. É como se você num banco pegar um empréstimo e o banco não te mandasse o boleto para te pagar a parcela do empréstimo.

Os erros que mais geram inadimplência são esses:

  • Não mandar o meio de pagamento, sem boleto, PIX ou link, o cliente bem-intencionado também não paga.
  • Lançar quem só confirmou de boca, cliente que não assinou polui o controle e gera cobrança indevida.
  • Sumir depois de fechar, quem não tem atenção do escritório se sente no direito de não pagar.

Só lança quem assinou

A blindagem começa antes: só vai pros controles os clientes que confirmarem a tua contratação por meio de assinatura no contrato. Cliente que só confirmou verbalmente não entra no controle de recebíveis, senão você cobra quem não assinou e perde quem assinou.

Quais limites da OAB protegem o contrato?

Um contrato bem escrito também é um contrato que não te expõe na OAB, e há três limites que você precisa respeitar.

O primeiro é o teto: a soma dos honorários contratuais com os de sucumbência não pode superar as vantagens do cliente, o que na prática significa não passar de 50% do proveito.

O segundo é o piso: você não deve cobrar abaixo da tabela de honorários da OAB da sua seccional.

O terceiro é o destaque dos honorários contratuais nos autos, que o art. 22 §4º da Lei 8.906/94 garante como direito seu, não favor.

Respeitar os três protege você e dá segurança ao cliente, coisa que o modelo cru entregue por aí não avisa.

LimiteBase legalO que fazer no contrato
Teto de 50% do proveitoArt. 50 do Código de Ética e Disciplina da OABGarantir que contratuais + sucumbenciais não superem as vantagens do cliente (na prática, 50% do proveito)
Piso da tabela da OABTabela de honorários da seccional da OABNão cobrar abaixo da tabela da sua seccional; usá-la como referência mínima
Destaque dos honoráriosLei 8.906/94, art. 22, §4ºPrever o destaque dos honorários contratuais nos autos — direito do advogado, não favor

O teto de 50% é o limite que mais derruba contrato

Contratuais somados aos sucumbenciais não podem superar as vantagens do cliente, na prática, 50% do proveito. Por isso, ao montar a cláusula de êxito, deixe esse teto amarrado por escrito.

Dúvidas frequentes sobre contrato de honorários

Preciso de testemunhas no contrato de honorários?
Não. O contrato de honorários tem força executiva pelo próprio Estatuto da Advocacia, independente de testemunhas, o STJ já firmou que a regra do Estatuto prevalece sobre a exigência geral de duas testemunhas do CPC (REsp 400.687). Mas, na prática, não custa nada colher: assinatura é o que transforma o cliente em recebível, e quanto mais sólida a formalização, menos espaço pra discussão depois.
Posso cobrar honorários por percentual de êxito (quota litis)?
Pode, e é uma das modalidades centrais do contrato. O modelo que funciona combina entrada com êxito: você cobra de 1 a 4% no início e mais 1 a 4% no final, mais um percentual sobre a indenização. A entrada te garante o honorário inicial, dinheiro na conta independente do resultado, e o êxito te paga quando você ganha. Só não pode estourar o teto ético de 50% do proveito (art. 50 do Código de Ética).
Qual o valor mínimo que devo cobrar num contrato?
No começo você cobra mais barato pra capitalizar e ver o dinheiro entrando, mas com chão: nunca menos de 5 mil reais na sua ação. Se o percentual sobre o proveito der menos que isso, você sobe e cobra os 5 mil. E nunca abaixo da tabela de honorários da OAB da sua seccional, que é o piso ético.
Qual é o limite máximo de honorários que posso cobrar?
A soma dos seus honorários contratuais com os de sucumbência não pode superar as vantagens que o cliente vai obter, na prática, o teto é 50% do proveito econômico (art. 50 do Código de Ética). Por isso, ao montar a cláusula de êxito, deixe esse teto amarrado por escrito: pra você não copiar um percentual e cair numa irregularidade sem perceber.
Qual a diferença entre proposta de honorários e contrato de honorários?
A proposta é a oferta, você apresenta o valor, geralmente fragmentado. O contrato é o documento assinado que formaliza essa oferta. A proposta vira contrato no momento do fechamento, quando vem a pergunta "vamos fazer o contrato e começar?". Se você quer montar a oferta antes desse ponto, eu tenho uma página inteira sobre proposta de honorários aqui no site.
O contrato de honorários protege contra inadimplência?
Protege, mas o contrato sozinho não basta, o processo de cobrança precisa funcionar. A maioria dos calotes não é má-fé: é falha de processo do escritório, como não enviar o boleto. A regra de ouro é só lançar no controle de recebíveis o cliente que confirmou a contratação por assinatura no contrato, e mandar o meio de pagamento em dia. Cláusula de multa e juros de mora ajuda, mas o controle rígido dos recebíveis é o que de fato te faz receber.
Posso reajustar os honorários em contratos longos?
Sim, e em contrato longo é recomendável: preveja uma cláusula de reajuste por índice oficial (IPCA ou INPC) com periodicidade anual, pra o valor não corroer ao longo dos 24 meses ou mais do trabalho. Deixe escrito o índice, a data-base e a forma de aplicação, assim o reajuste é automático e não vira discussão. Despesas processuais (custas, perícia) também entram em cláusula própria, separadas do honorário, pra ninguém confundir reembolso com remuneração.
Vinícius Nunes, advogado e criador do método Advogado Sustentável

Escrito por

Vinícius Nunes

Advogado (OAB/RS 109.673) · Fundador da VSN Advogados · Criador do método Advogado Sustentável

Advogado, construí um escritório digital ancorado em nichos de sustentação e prospecção via tráfego pago. A partir dessa prática criei o método Advogado Sustentável, hoje com mais de 11 mil alunos e mais de 4 mil contratos ativos.